O dinheiro pode dar-nos liberdade se conseguirmos poupá-lo e utilizá-lo apenas no que efetivamente nos ajuda a atingir os nossos objetivos pessoais. Devemos pensar, sim, no objetivo de acumulação de riqueza e não nos focarmos tanto no aumento do rendimento mensal.

Dinheiro poupado equivale a liberdade. Liberdade para mudar de trabalho se quisermos, liberdade para negociarmos com os nossos chefes melhores horários (saber que temos opções dá-nos muito mais confiança para negociar no nosso local de trabalho), liberdade até para sairmos de uma relação com a qual não estamos satisfeitos (sabemos que tantos se mantêm em relações insatisfatórias unicamente por questões monetárias). O dinheiro é apenas um meio que nos ajuda a atingir a vida que desejamos e por isso é importante refletirmos sobre qual o tipo de vida que procuramos, sobre o que efetivamente valorizamos.

Devemos pensar que trabalhamos para a nossa liberdade, podendo eventualmente fazer escolhas entre um trabalho menos estimulante, mas que nos traga um rendimento muito elevado, desde que isso não diminua o nosso bem-estar significativamente e que saibamos que é uma escolha de curto prazo. Embora acredite que o rendimento não deva ser o principal fator pelo qual nos guiemos na escolha da tarefa a qual dedicaremos a parte mais produtiva do nosso dia a realizar, é, sem dúvida, um fator importante, nomeadamente quando estamos perante casos, muitos comuns, em que não existe uma opção extremamente estimulante ou pessoas que ainda não sabem exatamente o que querem e que não tem dinheiro poupado. O que é importante é que, quando escolhemos um trabalho com um rendimento elevado, tal sirva para acumular riqueza e não para aumentar o nosso nível de consumo de tal forma que se torna psicologicamente impossível regressar a níveis de consumo passados. Tal significaria reduzir a nossa liberdade.

A liberdade financeira não tem a ver com níveis de consumo elevados, mas sim com sabermos que temos dinheiro passível de ser utilizado para outros fins. É, por isso, importante não ficarmos reféns do dinheiro como critério fundamental nas nossas decisões, mas com isto não quero dizer que o deve menosprezar. O dinheiro (não os gastos) é, efetivamente, importante, por inúmeras razoes, já que nos dá liberdade, permitir-nos ter mais escolhas, mais saúde, comprar bens ou experiências que nos trazem prazer, permite-nos doar dinheiro para instituições que consideremos que tem um papel relevante, etc. Contudo, colocar como objetivo principal o obter um determinado rendimento, muitas vezes em prole de liberdade, escolhas, saúde ou relações pessoais, é ineficiente, já que esses devem ser os objetivos à partida.

Vendo o dinheiro como um meio e não como um fim coloca o foco na nossa vida e obriga-nos a ser mais conscientes das nossas escolhas.

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