Geralmente tendemos a achar que a compra de uma casa é um bom investimento. Que em vez que deitarmos dinheiro fora a pagar um arrendamento, pagar para sentir que a casa é nossa (na realidade não é bem nossa, mas do Banco) é de facto melhor do que arrendar.

Uma vez que raramente vivemos na primeira casa que compramos para sempre, gostamos da ideia de que a conseguiremos vender rapidamente por tanto ou mais do que compramos no futuro. Ou seja, que estamos a fazer um bom investimento. É esta ideia que quero desmistificar.

Quando compramos uma casa para vivermos, o tipo de análise que fazemos é totalmente diferente de quando compramos uma casa para investimento, já que depende de decisões muito pessoais, como se nos sentimos bem na casa, se está perto da nossa família, do nosso trabalho, o tamanho da nossa família, entre outros fatores muito individuais.

Quando compramos uma casa para investimento, não deve interessar os nossos gostos pessoais nem a utilidade da casa para nós. Exige uma análise muito mais técnica, onde teremos de calcular o retorno esperado e verificar se é superior a outras oportunidades de investimento, nomeadamente depósitos bancários, fundos de investimento, obrigações, entre outras. É muito difícil sermos racionais quando estamos a comprar uma casa para vivermos e compreendermos de facto o valor comercial da nossa escolha.

Segundo Frank Gallinelli, um reconhecido investidor em imobiliário internacional e escritor de best sellers sobre o tema, há 2 regras fundamentais para investir em imobiliário que devemos seguir:

1 – Não tenha nenhum sentimento ligado às casas em que investe.

2 – Se não é fácil vender/alugar rapidamente, então não vale a pena comprar.

Com isto não quero dizer que não deva comprar a sua casa. Deve, sim, desde que esteja consciente de todos os custos inerentes à mesma e desde que perceba que, sim, até pode fazer dinheiro com a sua casa, mas esse não deve ser o critério que o leve a comprar. Tendemos a sobrevalorizar as características de uma casa que compramos para nós. Uma vez que gostamos dela, acreditamos que o mercado também irá gostar, mas muitas vezes não é assim. Além disso, geralmente vendemos uma casa pelo menos 10 anos depois de lá viver e as condições do mercado podem-se ter alterado significativamente, principalmente em zonas menos centrais.

Investir em mobiliário pode ser muito interessante, mas não veja a sua residência principal como um investimento, veja como um local onde se sentirá bem a viver durante muitos anos. Como diz Frank Gallinelli:

[When you invest in real estate ] You are not buying a properly, you are exchanging a fixed price for an income stream.

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